O velho safado

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6 abr., 2014
33 notas



Katherine desceu a rampa, soberba, com os seus cabelos ruivos, corpo elegante, um vestido azul apertado, sapatos brancos, tornozelos finos, jovem. Trazia um chapéu branco de abas inclinadas com bastante gosto sobre os seus enormes e sorridentes olhos castanhos. Tinha charme. Ela nunca mostraria o eu numa sala de espera de aeroporto. E lá estava eu, cento e três quilos, permanentemente perdido e confuso, curto de pernas e como um macaco da cintura para baixo, sem pescoço, uma cabeça enorme, olhos lacrimejantes, cabelos despenteados, um metro e oitenta de bonomia à espera dela.

BUKOWSKI, Charles. Mulheres.

6 abr., 2014
131 notas



É difícil beber quando se dança. É difícil dançar, quando se bebe.

Charles Bukowski, Mulheres.

16 mar., 2014
282 notas



Afinal de contas, eu tinha feito tudo que me havia proposto na vida. Dera os passos certos. Não dormia na rua. Claro, havia um bocado de gente boa dormindo nas ruas. Não eram idiotas, apenas não se encaixavam na maquinaria necessária no momento. E essas necessidades viviam mudando. Era uma luta desigual, e se a gente dormia na própria cama já era uma preciosa vitória contra as forças. Eu tivera sorte, mas alguns dos passos que dera não os dera inteiramente sem pensar. Em geral, porém, era um mundo horrível, e eu muitas vezes me sentia tristes pelos outros.
Bem, ao diabo com isso. Peguei a vodca e tomei um trago.

BUKOWSKI, Charles. Pulp.

15 mar., 2014
8 notas

Bukowski e a máquina de escrever - vídeo legendado

Nesse vídeo, trecho do documentário ‘The Charles Bukowski Tapes’, de Barbet Schroeder, o autor fala de sua relação com a máquina de escrever, seu processo de escrita, e o medo de um dia não conseguir mais escrever as palavras ‘do jeito como devem ser’. Medo de, subitamente, não saber mais fazer aquilo que, para nós, deveria estar garantido ao escritor bem sucedido. A insegurança com a escrita, parece, faz parte da natureza do escritor.

12 mar., 2014
78 notas

só na pose, o velho

só na pose, o velho

12 mar., 2014
3 notas
Anônimo: olá! gostaria de saber de qual texto/livro é esse trecho: /post/55964201751/ obrigada :D

Todos os trechos, após o nome do Bukowski, tem o nome do livro. Nesse caso, é Pulp. Por nada!

11 mar., 2014
116 notas

— Você é um filósofo medíocre – disse Dona Morte.
— Para mim – respondi – eu sou perfeito.
— A gente vive de ilusões – ela disse.
— Por que não? – sugeri. – Que é que existe mais por aí?
— O fim das ilusões – ela disse.
— Bem, que inferno – eu disse.
— Inferno pra você mesmo – disse Dona Morte.
BUKOWSKI, Charles. Pulp.
11 mar., 2014
28 notas

A Geração Falida

volto atrás, leio livros sobre as vidas dos meninos
e meninas lá dos 20.
se eles foram a Geração Perdida, como você chamaria
a gente?
vendo a gente sentada aqui no meio das ogivas
com nossas máquinas de escrever elétricas?

a Geração Falida?

eu preferiria estar na Perdida a estar na Falida, mas quando
leio livros sobre 
eles
sinto delicadeza e generosidade

e quando leio sobre o suicídio de Harry Crosby em seu
quarto de hotel
com sua prostituta
a coisa me parece tão real como a torneira que está
pingando agora
na pia do meu banheiro.

- BukowskiOs 25 Melhores Poemas.

10 mar., 2014
17 notas

Born Into This: documentário sobre a vida do Bukowski, do diretor John Dullaghan.

9 mar., 2014
33 notas

Bukowski em resposta ao jornalista Hans van den Broek sobre o caso de censura, em 1985, do seu livro “Tales of Ordinary of Madness”

Caro Hans van den Broek:
Obrigado por sua carta contando-me da remoção de um dos meus livros da biblioteca Nijmegen. E que ele é acusado de discriminação contra negros, homossexuais e mulheres. E que é sádico por causa do seu sadismo.
A única coisa que temo discriminar é o humor e a verdade.
Se eu escrevo mal sobre os negros, homossexuais e mulheres, é por que os que eu conheci eram assim. Há muitos “males” – cães maus, má censura, há até mesmo “maus” homens brancos. Somente quando você escreve sobre “mau”, homens brancos não reclamam. E eu preciso dizer que há “bons” negros, “bons” homossexuais e “boas” mulheres?
No meu trabalho, como escritor, eu só fotografo, em palavras, o que vejo. Se eu escrever sobre “sadismo” é porque ele existe, eu não inventei isso, e se algum ato terrível ocorre no meu trabalho é porque essas coisas acontecem em nossas vidas. Eu não estou do lado do mal, como se o mal fosse algo inerente. Em meus escritos, eu nem sempre concordo com o que ocorre, nem vou me afundar na lama por causa deles. Além disso, é curioso que as pessoas que gritam contra o meu trabalho parecem ignorar as partes dele que enaltecem a alegria, o amor e a esperança, e há essas partes. Meus dias, meus anos, minha vida viu altos e baixos, luzes e trevas. Se eu escrevesse só e continuamente da “luz” e nunca mencionasse o outro, então como artista eu seria um mentiroso.
A censura é a ferramenta daqueles que têm a necessidade de esconder realidades de si mesmos e dos outros. Seu medo é apenas a sua incapacidade de enfrentar o que é real, e eu não posso desabafar minha raiva contra eles. Eu só sinto essa tristeza terrível. Em algum lugar, na sua educação, eles estavam protegidos contra os fatos de nossa existência. Eles só foram ensinados a olhar de um jeito, quando existem muitas maneiras.
Eu não estou desanimado que um dos meus livros tenha sido caçado e retirado das prateleiras de uma biblioteca local. Em certo sentido, sinto-me honrado que eu escrevi algo que despertou essas pessoas de seu eu superficial. Mas fico magoado, sim, quando alguém tem seu livro censurado, pois esse livro, geralmente é um grande livro e há poucos desses, e ao longo dos tempos esse tipo de livro tem muitas vezes se tornado um clássico, e o que se acreditava chocante e imoral é hoje leitura obrigatória em muitas das nossas universidades.
Não estou dizendo que meu livro é um desses, mas eu estou dizendo que em nosso tempo, nesta época em que qualquer momento pode ser o último para muitos de nós, é condenadamente irritante e incrivelmente triste que ainda temos entre nós a pequenez, as pessoas amargas, os caçadores de bruxas e os declamadores contra a realidade. No entanto, estes também pertencem a nós, eles são parte do todo, e se eu não tenho escrito sobre eles, eu deveria, talvez o faça, e isso é suficiente.
que todos nós possamos ficar melhor juntos,
seu,
Charles Bukowski


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