O velho safado

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31 jul., 2014
50 notas



Ora, tudo que posso dizer é que existem bilhões de mulheres no mundo, certo? Algumas bem vistosas. Muitas muito bonitas. Mas de vez em quando a natureza nos sai com um truque bestial, reúne todos os atributos numa mulher especial, uma mulher inacreditável. Quer dizer, a gente olha e não acredita. Tudo se move em perfeita ondulação, mercúrio, serpente, a gente vê umas cadeiras, um cotovelo, uns peitos, um joelho, e tudo se funde numa unidade gigantesca, um todo inesquecível, com aqueles olhos lindíssimos a sorrir, a boca meio descaída, os lábios imóveis como prontos para estourar numa gargalhada, pela sensação de impotência da gente. E elas sabem se vestir, e o cabelo longo incendeia o ar. Tudo demais, porra.

BUKOWSKI, Charles. Pulp.

31 jul., 2014
55 notas

Não deixe

Não deixe as pessoas serem
seu alicerce.
nem as garotas jovens
nem as garotas velhas
nem os homens jovens
nem os homens velhos
nem aqueles no meio-termo
nenhum deles,
não deixe as pessoas serem
seu alicerce.

Ao invés disso
construa na areia
construa no lixão
construa na fossa
construa nos túmulos
construa na água,
mas não construa nas
pessoas.

Elas são uma aposta ruim,
a pior aposta que você pode fazer.

Construa em outro lugar,
qualquer outro,
qualquer
mas não nas pessoas,
massas
sem cabeça, sem coração
emporcalhando os
séculos,
os dias,
as noites,
as cidades, os municípios,
as nações,
a Terra,
a estratosfera,
emporcalhando a
luz,
emporcalhando todas
as chances,
aqui,
emporcalhando completamente
tudo
agora
e amanhã.

Qualquer coisa
comparada às pessoas,
é um alicerce melhor a se procurar.

Qualquer coisa

- BUKOWSKI (traduzido por Jao Moonshine).

14 jul., 2014
32 notas

Bluebird

13 jul., 2014
56 notas



Levantar-se da cama pela manhã era o mesmo que encarar as paredes lisas do universo.

BUKOWSKI, Charles. Pulp.

12 jul., 2014
3 notas
Anônimo: Wow! Que mara é saber que sempre tem novidade quando chego por aqui. Possa ser devagar, como é, mas, sempre tem. Vc manda muito em está mostrando esse velho incrível pro mundo, mesmo não podendo ter sempre tempo suficiente. Imagino que como muitos, a ocupação no dia-a-dia não requer de muita ajuda. Só tenho a agradecer. Obrigada!!

Poxa! Desculpa a demorar pra responder e desculpa a falta de postagens novas.
Provavelmente, você deve ter voltado aqui sem nada novo.
Ao mesmo tempo que isso me incentiva a continuar com o blog, fico triste por não atualizar com a frequência que gostaria.
Muito obrigada pelas palavras e pela compreensão, de verdade mesmo.
Fique à vontade pra sempre vir aqui, dar sugestões, reclamar (rs), ou o que quiser.
Eu que agradeço.

12 jul., 2014
67 notas



Dia frouxo. Entrei na piscina de hidromassagem com um boa-vida. O sol estava brilhando e a água borbulhava e fazia redemoinhos, quente. Relaxei. Por que não? Dê um tempo. Tente se sentir melhor. O mundo inteiro é um saco de merda se rasgando. Não posso salvá-lo. Mas recebi muitas cartas de pessoas que disseram que meus livros salvaram suas vidas. Mas não escrevi para isso, escrevi para salvar a minha própria vida. Sempre estive por fora, nunca me adaptei. Descobri isso nos pátios das escolas. E outra coisa que aprendi foi que eu aprendia muito devagar. Os outros caras sabiam tudo; eu não sabia merda nenhuma. Tudo estava imerso em uma luz branca e estonteante. Eu era um idiota. No entanto, mesmo quando eu era um idiota, sabia que não era um idiota completo. Eu tinha algum cantinho em mim que eu estava protegendo, havia alguma coisa lá. Não importa. Aqui estava eu na piscina e minha vida estava terminando. Não me importava, já tinha visto o circo. Ainda assim, sempre haverá mais coisas para escrever até que me atirem na escuridão ou seja o que for. Isso é que é legal sobre as palavras, permanece indo em frente, buscando coisas, formando frases, se divertindo. Eu estava cheio de palavras e elas ainda saíam em boa forma. Eu tinha sorte. Na piscina. Garganta ruim, dor de cabeça, eu tinha sorte. Velho escritor na piscina, meditando. Legal, legal. Mas o inferno está sempre lá, esperando para se abrir.

BUKOWSKI, Charles. O capitão saiu para o almoço e os marinheiros tomaram conta do navio.

12 jul., 2014
28 notas

uma palavrinha sobre os fazedores de poemas rápidos e modernos

(Tradução: Jorge Wanderley)

é muito fácil parecer moderno
enquanto se é o maior idiota jamais nascido;
eu sei; eu joguei fora um material horrível
mas não tão horrível como o que leio nas revistas;
eu tenho uma honestidade interior nascida de putas e hospitais
que não me deixará fingir que sou
uma coisa que não sou —
o que seria um duplo fracasso: o fracasso de uma pessoa
na poesia
e o fracasso de uma pessoa
na vida.
e quando você falha na poesia
você erra a vida,
e quando você falha na vida
você nunca nasceu
não importa o nome que sua mãe lhe deu.
as arquibancadas estão cheias de mortos
aclamando um vencedor
esperando um número que os carregue de volta
para a vida,
mas não é tão fácil assim—
tal como no poema
se você está morto
você podia também ser enterrado
e jogar fora a máquina de escrever
e parar de se enganar com
poemas cavalos mulheres a vida:
você está entulhando a saída — portanto saia logo
e desista das
poucas preciosas
páginas.

- Charles Bukowski

15 jun., 2014
4 notas

Se vocês quiserem pesquisar trechos/fotos por livro, é só clicar:

Cardápio > Bibliografia  nacional: http://www.ovelhosafado.com.br/tagged/bibliografia

15 jun., 2014
2 notas
Anônimo: tem alguma passagem bonita que você conhece de Cartas da Rua ?

Na opção “cardápio” tem a “bibliografia nacional” onde há uma lista de livros e, clicando em um dos títulos, você será direcionado a todos os trechos e fotos a respeito, aqui no blog. Facilitando pra você, aqui o de Cartas na Rua: http://www.ovelhosafado.com.br/tagged/cartas-na-rua

14 jun., 2014
393 notas



Senti as lágrimas escorrendo no rosto, arrastando-se feito coisas insensatas e pesadas, sem pernas. Estava louco. Devia estar realmente louco.

BUKOWSKI, Charles. Fabulário geral do delírio cotidiano.


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